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agosto 30

Jovens com necessidades especiais recorrem à EaD para conseguir estudar

Postado em: Acessibilidade

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CAROLINA MUNIZ DE SÃO PAULO
29/07/2016 02h00

Quando adolescente, Neuriane de Oliveira, 25, nunca imaginou que faria universidade. Moradora da zona rural de Corinto (MG), ela nasceu com uma distrofia muscular que dificulta a locomoção.

Para que pudesse cursar a faculdade, seus pais, trabalhadores rurais, teriam que se mudar para outro município e ajudar a jovem no deslocamento diário. “Minha família vive da agricultura, não teria condições de me levar para estudar fora daqui”, afirma ela. “Fazer graduação era uma coisa impossível.”

O jogo começou a virar em 2008, quando a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) inaugurou um polo de educação a distância na cidade de Neuriane. Em 2011, ela entrou no curso de geografia.
No início, a dificuldade foi se habituar à plataforma digital, sem o olho no olho com o professor. Mas a garota ganhou intimidade com a ferramenta e autonomia.

“No ensino convencional, a nossa vida tem que se adaptar ao estudo. No ensino a distância, é o estudo que se adapta à nossa vida”, diz a jovem, que se formou em 2015.

Em setembro de 2013, a educação presencial também passou a não caber mais na vida de Pedro Blankleder, 27. Quando subia de moto a rodovia Anchieta (SP), ele foi atropelado por um caminhão.

Estava no segundo ano de propaganda e marketing e precisou deixar a faculdade para fazer o tratamento – foram 16 cirurgias para restaurar a perna direita. Optou, então, por continuar os estudos a distância na Universidade Anhembi Morumbi (Laureate), em 2014. Ainda em recuperação, se forma no fim do ano.”Se não fosse a EaD, ficaria parado esse tempo todo”, afirma.

Segundo Maria Elizabeth de Almeida, especialista em EaD da PUC-SP, a modalidade a distância não substitui a presencial, mas atende a necessidades específicas dos estudantes. “O importante é criar condições diversificadas para que todos tenham acesso à educação”, afirma.

NO RITMO

Para Bruno Welber, 24, que é cego, o ensino a distância é sinônimo de autonomia. Aluno do curso de tecnologia em segurança da informação na Uninove, ele estuda com o auxílio de um leitor de tela, software que transforma elementos visuais em áudio.

“Na sala de aula, você depende muito do professor para saber o que está escrito na lousa e nos slides”, diz. “Na EaD, tenho acesso ao conteúdo o tempo todo. Posso ler, reler e ditar o meu ritmo.”

Viviane da Costa, 32, concorda. Com 20% da visão, a estudante de recursos humanos optou pela modalidade a distância devido à praticidade e maior facilidade para acessar o conteúdo. “Com um aplicativo, posso ouvir todo o material pelo celular. Assim, não preciso forçar o que ainda tenho de visão”, afirma.

Mas nem tudo são flores. Bruno conta que, no início do curso, encontrou obstáculos para usar a plataforma. “Sugeri mudanças no sistema, a universidade foi bem receptiva e já está implementando”, diz.

De acordo com Elisa Schlüzen, especialista em educação inclusiva da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o ensino a distância ajuda a diminuir as diferenças entre os alunos e, por si só, já possui caráter inclusivo.

No entanto, as instituições precisam se preparar melhor para receber alunos com necessidades especiais. “O ambiente digital tem que ser pensado de forma acessível desde a concepção.”

Fonte: Folha de São Paulo 

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